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“Melhor prevenir do que remediar” já diz o famoso provérbio que pode ser facilmente aplicado ao mundo dos negócios. Os contratos de vesting e de cliff tiveram ampla utilização com a disseminação das ‘startups’ ― modelo de negócios inovadores com potencial de multiplicar uma ideia ou produtos/serviços de forma escalável.

Alguns empreendimentos, como no caso das próprias startups, contam normalmente com limitados recursos financeiros, principalmente no momento inicial, o que restringe a captação de recursos humanos capacitados para atuar no negócio pela impossibilidade de oferta de um bom salário.

Mas os contratos vesting e cliff conseguiram reverter esta situação e se tornaram importantes estratégias para reter talentos dentro das empresas. Mas o que são contratos vesting e cliff? Qual a importância da utilização destes contratos? Acompanhe o post e entenda como estas ferramentas estão mudando a forma de fazer negócios de muitos empreendedores!

O que é um contrato de vesting?

Um contrato vesting é a possibilidade de participação concedida a investidores (funcionários, advisors ou mesmo aos membros fundadores) para adquirir cotas/ações de um determinado empreendimento após certo período de trabalho. Esse tipo de contrato vem sendo amplamente utilizado como forma de manter o foco da equipe nos resultados.

De forma geral, o investidor adquire progressivamente direitos de participação sobre determinado negócio – quanto mais a empresa crescer, maiores serão os lucros distribuídos aos membros da equipe.

Esse tipo de ‘abertura’ de investimento com uma garantia de participação não concede de imediato o direito às ações adquiridas, mas sim ao final de um período preestabelecido ― o que evita que um colaborador que adquiriu uma porcentagem da empresa saia logo depois da aquisição sem ter contribuído significativamente para o crescimento do empreendimento.

Por exemplo, um colaborador adquiriu 20% de cotas para um prazo de 4 anos e ele decide sair da empresa em apenas 6 meses de colaboração. O valor que receberá referente a este período será de 2,5% das cotas do negócio. Em outras palavras, ele terá direito apenas ao percentual de crescimento da empresa no período de aderência às ações/quotas ― fazendo jus ao conceito de vesting: investimento com garantia de participação.

Vesting e startups: qual a relação?

O contrato de vesting vem sendo frequentemente utilizado pelas startups, onde normalmente a divisão dos resultados com a equipe envolvida ocorre de forma pré-definida, conforme o investimento financeiro ou intelectual de cada membro.

Com a utilização dos contratos de vesting todos são beneficiados de forma mais justa durante a participação na empresa ― uma vez que eles dão a possibilidade de aumentar os recebíveis conforme a contribuição no crescimento do negócio e o empreendedor se sente mais seguro na distribuição dos dividendos ou ações da startup.

Para uma startup, a utilização de acordos de vesting se torna uma grande possibilidade de reter excelentes profissionais com talentos inovadores que irão contribuir fortemente com a empresa ― ou melhor, torná-los donos das suas próprias ideias e produções ― afinal, esta oportunidade de crescer e poder ganhar de acordo com o crescimento não seria possível numa empresa tradicional. Além disso, esse formato de negócio garante que a distribuição das participações ocorra de forma progressiva e enquanto durar o tempo de contrato.

No caso de sócios de uma startups também se recomenda o estabelecimento de um contrato vesting, evitando problemas futuros no caso da dissolução de um dos envolvidos. Caso o contrato vesting seja assinado, no caso de desistir do negócio, o sócio irá receber de acordo com a progressividade de sua participação durante o período que esteve de posse das ações/cotas.

E o contrato de cliff, onde entra?

O contrato cliff nada mais é que um complemento aos contratos vesting. Ou seja, o investidor apenas terá direito às ações/cotas previstas no vesting após certo tempo de colaboração, que na maioria dos casos é acordado em um ano.

No caso do exemplo citado anteriormente, em que há desistência num prazo de 6 meses após a compra de 20% de cotas, o colaborador não teria nenhum direito, uma vez que não teria cumprido o tempo mínimo estabelecido na cláusula cliff.

E você, já conhecia estes tipos de contrato? Ainda ficou com alguma dúvida? Compartilhe sua experiência deixando um comentário!

3 Responses to “Contrato de vesting e cliff: o que são e por que fazer”

  1. Antonino Neto

    Olá.

    Em um contrato Vesting Cliff como posso me blindar de possíveis trapaças dos meus sócios? Por ex: Se um deles quiserem ir no banco, com o contrato social e fazer um emprestimo no valor X.

    Como posso me blindar dante essa situação?

    Grato dede já.

    • Bernardo Grossi

      Existem outros instrumentos contratuais que podem protegê-lo desse e de outros riscos. É importante conversar com um advogado que entenda de planejamento societário.

  2. negócios lucrativos que deram certo

    Que texto bacana! Já entrei no teu blog algumas vezes, mas nunca
    tinha deixado um comentário. Inseri seu blog nos favoritos
    para eu não perder nenhuma atualização. Abração!

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